
O rádio – relógio já reclamava, eram seis horas da manhã, meus olhos ardiam e minhas pálpebras pareciam pesar toneladas, minha mente estava confusa não tinha noção do real, na verdade, era um misto de sonho e realidade. Meu corpo estava todo dolorido, minhas juntas pareciam estar secas, eu sentia náuseas. Levantei-me e fui até a cozinha abri a geladeira e tomei um gole d’água veio à tona as antigas nostalgias que outrora esquecidas permaneciam inoculadas em meu ser. Dirigi-me até o banheiro e deparei-me com meu reflexo no espelho só naquele instante pude perceber a mudança brusca do ser, a mutualidade individual, a solidão traduzida em paradigmas e dogmas fantasiados em sorrisos hipócritas. Como a lagarta que se refugia em seu casulo meu espírito se refugiava por traz de sorrisos e gracejos, tudo começou a ficar confuso vinham-me mil pensamentos e lembranças minha alma estava em erupção. Eu regurgitava hipocrisias, na minha pele nasciam chagas de imposturas e tumores de credos nunca vividos. Meu rosto distorcia-se formando aberrações nocivas jamais vistas. Estava tudo tão à flor – da – pele.
Todo o organismo se acalmou estava bombardeado, desfalecido. O sol já estava lá a estrela da manhã já escalava o céu, um galo beberrão já o anunciava como um arauto, e assim aquecendo meu rosto acalentava meu cadáver. Tudo era novo, metafísico, filosófico. Minh’alma se engrandecia já um tanto dilatada, desprovida de inércia se desabrochava ao mundo em gotas de orvalho fresco. O cataclisma se acalmara como a efêmera chama que se apaga no arfar do suspiro. Tudo se renova tudo se transforma um tanto bem maior ou não se renovemos todos os dias como o sol batalha de noite para renascer da manhã.
Semper Dun Vivan!
Que brilhe assim nossa luz!
Ilornë