sábado, 4 de outubro de 2008



Homem é macho!
Desde que me conheço por gente ouço frases do tipo “Homem é macho” ou “Homem não chora”. Quando era menor sempre que ia aos velórios com minha avó me perguntava “Se homem não chora, porque eles choram então?”
Essa pergunta ninguém conseguia me responder!
Até onde sei o homem está fadado ao trabalho devido a uma maldição lá em Gênesis: “... em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida”, “No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra...”.
Acho que é por isso que o homem tem que ser macho, para sustentar sua mulher e prole através do labor, tem que ser forte para não adoecer e ter saúde para comandar sua casa, homem não chora porque não pode ser sensível tem que manter sua fantasia de semideus. É por isso que trombo com vários “machos” diariamente.
Este machismo todo é mais acentuado quando os homens estão apaixonados, porém são machos demais para admitir.
Eles diariamente engolem rolimãs no almoço, não tomam mel, mas comem abelha e jogam tênis com bola de sinuca, e por baixo de sua armadura inoxidável não confessam ter um coração mole feito gelatina e um tanto brega.
E quando se perdem pensando n’Ela nunca admitem sempre dizem “Eu apaixonado, magina”.
Só resolvem admitir que estão apaixonados quando o nome d’Ela já esta na discagem rápida do celular, seus sentidos parecem milhões de fogos de artifício colorido quando ela se aproxima parece até as luzes de Las Vegas, quando o céu fica mais azul, as flores mais coloridas, as folhas mais verdes.Ou quando você repara o quanto Ela ficou linda no vestido novo, como Ela ficou tão mulher naquela sandália, como a maquiagem leve à deixa tão meiga, como aquele gloss deixa sua boca tão provocante e como seu corte de cabelo o mais sutil que seja à deixa tão diferente e seu cheiro que inconfundivelmente fica dias e dias em você, a sua única vontade é de fugir com ela para o único lugar do mundo onde ninguém pode perturbá-los e beija –lá como se fosse a ultima vez.
O amor só será verdadeiro entre ambos quando pequenas coisinhas bregas começam a tornar-se, digamos, bonitinho. Quando apelidos carinhos entre ambos o briochinho, chuchu, morzinho, anjo ou bebê. Quando os dois já deixaram as amizades de lado, quando aquele homem, macho fala com Ela com voz de pato Donald e escreve frases em cartões com imagens de filhote de animais ou corações coisas do tipo “você é minha gatinha” e Ela ao receber se derrete toda e sente como se fosse a garota mais amada do mundo e como se ele fosse o cara mais romântico do mundo.
Tudo isso é brega e muuito brega, porém estamos em um mundo tão individualista e mecânico que não vemos isso todos os dias. Se a mulher ainda se derrete toda e ainda tem incubado em seu subconsciente aquele príncipe encantado que virá buscá-la para serem felizes para sempre, torne-se o príncipe dela realize todos os seus sonhos. Se Ele é seu pato Donald torne-o Wolverine, se El é sua gatinha transforme-a em sua leoa.
É brega!?
E daí?

Ilornë

quinta-feira, 2 de outubro de 2008



“Sou daquelas almas que as mulheres dizem que amam,
e nunca reconhecem quando encontram, daquelas que,
se elas as reconhecessem, mesmo assim não as reconheceriam.
Sofro a delicadeza dos meus sentimentos com uma atenção desdenhosa.
Tenho todas as qualidades, pelas quais são admirados os poeta
românticos, mesmo aquela falta dessas qualidades, pela qual se é
realmente poeta romântico. Encontro-me descrito (em parte) em vários
romances como protagonista de vários enredos; mas o essencial
da minha vida, como da minha alma, é não ser nunca protagonista.”

Ah! Lamentavelmente o olhar ia mais fundo ainda, ia além das simples imperfeições e desesperanças de nosso tempo, de nossa espiritualidade, de nossa cultura. Chegava ao coração de toda a humanidade; expressava, num único segundo, toda a dúvida de um pensador, talvez a de um conhecedor da dignidade e sobretudo do sentido da vida humana. Esse olhar dizia: “Veja os macacos que somos! Veja o que é o homem!” E toda celebridade, toda a inteligência, toda a conquista do espírito, todo o afã para alcançar a sublimidade, a grandeza e o duradouro do humano se esboroavam de repente e não passavam de frívolas momices!

Eu trazia no íntimo uma imagem da vida, uma fé, uma exigência; estava disposto a feitos, a sofrimentos e sacrifícios, e logo aos poucos notou que o mundo não lhe pedia nenhuma ação, nenhum sacrifício nem algo semelhante; que a vida não é nenhum poema épico, com rasgos de heróis e coisas parecidas, mas um salão burguês, no qual se vive inteiramente feliz com a comida e a bebida, o café e o tricô, o jogo de cartas e a música de rádio. E quem aspira a outra coisa e traz em si o heróico e o belo, a veneração pelos grandes poetas não passa de um louco ou de um Quixote.

― Eis a arte da vida ― O senhor mesmo pode formar e viver no futuro um jogo de sua própria vida à vontade, desenvolvendo-o e enriquecendo-o; está em suas mãos faze-lo. Assim como a loucura, em seu mais alto sentido, é o principio de toda sabedoria, assim a esquizofrenia é o principio de toda arte, de toda fantasia. Mesmo os homens instruídos chegaram ao reconhecimento parcial desta verdade, como se pode ler no Príncipe Wunderborn, naquele livro encantado no qual o trabalho fatigante e atento de um sábio se vê imortalizado com a colaboração genial de um numero de artistas loucos e recolhidos como os tais.


Ilornë

sábado, 20 de setembro de 2008

ESTRELAS GUIADORAS




Olhando as estrelas
Enxergo alem do meu olhar
Alem da imaginação
A minha respiração fica solta e minhas asas
livres para poder voar alto e leve....

No céu brilham.
São pontos iluminados,muitas vezes formam
desenho encantado...
De dia,o azul é estampado e são formados nuvens que parecem algodão doce,com seu cheiro perfumado,como as flores cultivadas em seu jardim...

O mel sulgado de seus labios,é o favo que tenho provado,sentidos harmonicos....
São melodias em cifras,que não sei descreve-lo
Apenas sinto

No Olfato!seu perfume é recebido é desejado.
No Tato! o toque de suas mãos sobre minha face.
E sua respiração preza sinto quando está perto de meu paladar...
*Em todos os sentidos
Ariane Martins

domingo, 14 de setembro de 2008

MANHÃ FILOSOFAL



Esta manhã quando acordei e abri a janela
Senti o cheiro da chuva
E é nesta manhã (bucólica)
Que me lembro da morte

E não obstante vejo um filme passar
Frente aos meus olhos
Vejo:
Minha vida toda...
Meus pecados, os momentos felizes.
Vejo também meus amigos, minha família.

E tudo isso me parece um papel de bala
Não tenho certeza da vida ou da morte
Porem eu sei, que toda a minha vida é um papel de bala.

E percebo que nada é tão natural como parece
Todos os seres e vidas são como papel de bala
E tudo o que eu amo e dou valor:
Os pecados, a felicidade, as amizades.
A família e claro o papel de bala

Não passam de uma manhã filosofal

Ilornë

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

C A T A C L I S M A


O rádio – relógio já reclamava, eram seis horas da manhã, meus olhos ardiam e minhas pálpebras pareciam pesar toneladas, minha mente estava confusa não tinha noção do real, na verdade, era um misto de sonho e realidade. Meu corpo estava todo dolorido, minhas juntas pareciam estar secas, eu sentia náuseas. Levantei-me e fui até a cozinha abri a geladeira e tomei um gole d’água veio à tona as antigas nostalgias que outrora esquecidas permaneciam inoculadas em meu ser. Dirigi-me até o banheiro e deparei-me com meu reflexo no espelho só naquele instante pude perceber a mudança brusca do ser, a mutualidade individual, a solidão traduzida em paradigmas e dogmas fantasiados em sorrisos hipócritas. Como a lagarta que se refugia em seu casulo meu espírito se refugiava por traz de sorrisos e gracejos, tudo começou a ficar confuso vinham-me mil pensamentos e lembranças minha alma estava em erupção. Eu regurgitava hipocrisias, na minha pele nasciam chagas de imposturas e tumores de credos nunca vividos. Meu rosto distorcia-se formando aberrações nocivas jamais vistas. Estava tudo tão à flor – da – pele.
Todo o organismo se acalmou estava bombardeado, desfalecido. O sol já estava lá a estrela da manhã já escalava o céu, um galo beberrão já o anunciava como um arauto, e assim aquecendo meu rosto acalentava meu cadáver. Tudo era novo, metafísico, filosófico. Minh’alma se engrandecia já um tanto dilatada, desprovida de inércia se desabrochava ao mundo em gotas de orvalho fresco. O cataclisma se acalmara como a efêmera chama que se apaga no arfar do suspiro. Tudo se renova tudo se transforma um tanto bem maior ou não se renovemos todos os dias como o sol batalha de noite para renascer da manhã.
Semper Dun Vivan!
Que brilhe assim nossa luz!
Ilornë